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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Tempo



Os finos dedos do relógio apontam o                                      
que vai a restar de ti. Incansáveis, movem-se no                   
compasso eterno dos seus tique-taques                                    
que soam a triste marcha para o fim. E
deste ritmo cruel, por ti imposto, eu corro na
tentativa inútil de te ganhar

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Tarde cinza



                                                                  
Na tarde cinza,                            
a lagoa passava suave                 
diante da minha janela.                   
Eu assistia à chuva fundir-se no sal                        
e pensava em como a vida       
e as nuvens se pareciam:                
efêmeras,
nascidas de águas incertas;              
desfeitas em gases e sais.
Muitas nuvens já vira passar                               
diante das minhas janelas...               
Sempre abertas ao vento                      
com o cheiro doce da saudade          
e um gosto morno de mar.                

O sol que a janela esconde



Dentre todas as horas, eu quero aquela
em que te afago com mãos de vento
sobre as ondas de seda do leito
onde vivemos a navegar.

E em meio a suspiros
que afloram entre beijos
flutuamos, salgados de desejo,
sob o teto que encobre o nosso mar.

E as estrelas,
que faltam ao nosso abrigo,
encontro todas na noite dos teus olhos,

que se estreitam
quando surge, em tua boca,
o sol que a janela esconde.


Ando por aí perdida de mim



Ando por aí perdida de mim,
feito sombra a enlutar a areia,
desde que, ao vento,
jogaste a minha vida
e, ao mundo,
a minha imagem
sumida e feia.

Ando por aí sem caminhos
até quando quiser
a minha sorte.
Espectro vagando
sobre espinhos,
levando nos olhos o vazio
que deixaste no frio ninho.


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